Safra do cacau no litoral sul da Bahia sinaliza recuperação da lavoura
Produtores da região de Ilhéus e Itabuna ampliam o plantio de variedades resistentes à vassoura-de-bruxa, doença que reduziu a cultura décadas atrás.

Produtores do litoral sul da Bahia colhem, nesta safra, o maior volume de cacau plantado em variedades resistentes à vassoura-de-bruxa desde o início da renovação dos cacauais na região, há duas décadas. O avanço concentra-se nos municípios banhados pelos rios Cachoeira e de Contas, entre Ilhéus e Itabuna.
A doença chegou à Bahia no fim dos anos 1980, reduziu a produção e levou parte dos produtores a abandonar a lavoura ou migrar para outras culturas. Duas décadas depois, o replantio com mudas clonais resistentes devolve área produtiva ao litoral sul e reaquece a cadeia local de beneficiamento.
Cabruca como marca da região
O sistema de cultivo em cabruca, que mantém o cacau sob a sombra da mata nativa, segue como diferencial da região frente a lavouras de outros estados. Cooperativas locais citam esse manejo como argumento de venda para o mercado de chocolate fino, que paga preços melhores por lotes certificados e rastreáveis.
Meta de ampliar a área certificada
A meta das cooperativas do litoral sul é elevar em 20% a área com selo de origem até 2028, o que exige também investimento em secagem e fermentação dentro das próprias fazendas. Parte da produção segue para exportação pelo porto de Ilhéus, rota que os produtores consideram mais curta que o escoamento pelo Sudeste do país.
A secretaria estadual de Agricultura mantém um programa de distribuição de mudas certificadas para produtores da região, com prioridade para quem já adota manejo agroecológico nas propriedades.
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